#Bastidores: pauta ‘Cartas para a amiga Julieta’

Muitas das minhas pautas encontro por meio de leitura. Brinco que sou o meu sonho de leitor: aquele que pega o jornal e olha até as propagandas! Vivo sempre com uma revista ou livro nas mãos, além de, claro, o celular. Certo dia me deparei com uma história na internet: um clube italiano formado por pessoas que se dedicam a responder cartas recebidas do mundo todo endereçadas a Julieta. Sim, a Julieta de “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare!

Eu pensei: ok, alguém realmente escreve cartas para uma personagem, põe no correio, a carta chega ao túmulo de Julieta (pois é! A personagem tem um túmulo – simbólico ou não! – no convento de San Francisco al Corso), lá na Itália. Então, outro alguém pega essa mensagem, a lê, a responde e, no final, assina “Giulietta”.  Não é impressionante?

Eu sei, você está se perguntando: mas ela não assistiu ao filme “Cartas para Julieta”? Não, amigo leitor, eu não assisti! Ou melhor, eu sabia da existência do longa, mas nunca havia me interessado em vê-lo até então. Mas fato é que comecei a buscar mais informações e descobri que não só o clube é antigo, como havia uma brasileira envolvida no projeto. Pronto, vi ali que tinha uma pauta interessante.

Com o nome de Andreia nas mãos passei a procurá-la. Discretíssima – o clube guarda em sigilo dados de seus participantes, afinal, ela é Giulietta para o remetente! – , encontrei-a numa rede social. Na verdade, foi uma aposta: cheguei a uma moça dona de um ateliê de artesanato que leva o nome da personagem.

Chutei:

“Oi, Andreia, você é a brasileira…”

“Como sabe que sou eu se não publico nada sobre isso?”

E completou: “Agora não posso falar contigo, mas me adiciona no Whatsapp que eu te chamo assim que desocupar. Anote meu número (12)…”

“12?! Perai, de onde você é?!”

“Jacareí!”

WOW! Não só tinha uma pauta interessante em mãos, mas uma SUPER-POWER-EXTRA-PLUS (para não falar um palavrão!) reportagem!

Bom, o resto dessa história, se você ainda não sabe, eu vou deixar você ler aqui embaixo no link. É, alias, uma história, linda, mágica, de doação e amor. A reportagem foi capa do caderno Viver&, de 13 de junho de 2017. Aliás, uma bela capa com arte de Daniel Fernandes.

Boa leitura: http://www.ovale.com.br/_conteudo/2017/06/viver/8511-cartas-para-julieta.html

Bem-vindos ao Caseado Cultural!

Reprodução / cnfcp.gov.br

O pensamento de “o que eu consumo é melhor do que aquilo que o outro consome” é inaceitável. Chamar aquilo que o outro aprecia de “lixo cultural” é inadmissível. Pois é… Na inauguração deste blog “Caseado Cultural”, integrante do projeto de blogs de OVALE, resolvi botar o dedo em graves feridas! Rs!

 Há algum tempo, entrevistei Ayrton Montarroyos, cantor finalista do “The Voice” (Globo) considerado pela crítica uma das vozes da nova MPB. Bons papos nem sempre cabem nas enxutas reportagens do jornal.E, na ocasião, ele tinha se envolvido com uma polêmica: Montarroyos saiu em defesa de MC Troinha, sensação da música brega recifense. “É cultura sim!”, ele cravou. E ele tem razão! É cultura SIM!

 É preciso ter em mente que arte é uma coisa, cultura é outra. Cultura é toda a expressão de um povo, já diz a querida Angela Savastano, gestora do Museu do Folclore, de São José, com quem tive o prazer de ter verdadeiras aulas em visitas que fiz ao local. A cultura é tudo aquilo que caracteriza uma comunidade, um povo, o torna real.

 Quando você tira o título de cultura da música brega, caipira, do funk, do rap, do grafite ou de qualquer outra manifestação artística que não lhe agrada, ignora que aquilo tem valor para várias outras pessoas. Ainda que não faça sentido para ti, esse “lixo” é a expressão cultural de um grupo de pessoas, é o que caracteriza aquele povo e não se pode ignorar a existência cultural de um indivíduo. Não sejamos cruéis.

 E é esse o ponto. É por isso que no caderno Viver& de OVALE o leitor encontra de Anitta à Orquestra de Viola Caipira. Dos grafiteiros as antigas figureiras do Vale do Paraíba. De JB Magalhães com toda a sua arte a Ney Matogrosso. Do teatro da Turma da Mônica a peça “A Tropa”, uma das mais aclamadas pela crítica nos últimos anos. Por quê? Porque é preciso tolerância, respeito e mais: é preciso dar espaços a todas as manifestações culturais.

 E eu convido você, leitor, não só a continuar lendo cada reportagem do nosso caderno – uma vez que há um esforço trazer reportagens bacanas, cheias de boas informações -, mas sair da sua zona de conforto e descobrir (ou redescobrir!) novos artistas que podem lhe agradar ou não. Afinal, ouvir, ver, ler não custa. E conhecimento extra nunca é demais, não é mesmo?

 Espero vocês neste espaço para falarmos sobre novidades, bastidores de reportagens e opiniões sobre filmes, livros e discos. Pretendo eventualmente fazer algumas crônicas, breves artigos, quem sabe… Vamos juntos?

Paula Maria Prado
Editora do caderno Viver&, de OVALE

PS: Já a arte… O que é arte mesmo? Se nem a academia chegou a um consenso, quem somos nós, né?